Greve de Fome
Sempre pensei na greve de fome como o último recurso de uma pessoa desesperada em busca de justiça ou da verdade. O grito do fraco diante do massacre do forte. O martírio de quem abre mão da própria alimentação em nome de uma causa maior. Penso sempre em Ghandi e no sacrifício pacífico para libertar a Índia. Eis que até o sacrifício tornou-se corrompido.
Em Guantanamo, prisioneiros (que há quatro anos aguardam julgamento sem saber exatamente qual crime teriam cometido e sem direito a habeas corpus) tentam fazer greve de fome. Num gesto antiético, imoral e completamente condenado pela Associação Médica Mundial estes prisioneiros são amarrados e alimentados à força por via nasal.
No Brasil, a nobreza do gesto é corrompida por um político, que num ato de deboche a tudo o que o jejum representa, resolve parar de se alimentar para protestar contra a "perseguição da imprensa". Seria bom se, com este gesto, sobrasse mais comida para quem tem fome.
:: Eduardo 2:09 PM [Clique aqui para comentar] ::
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